Um fungo que às vezes provoca infecções graves parece dispor de uma nova maneira de resistir a certos medicamentos: multiplicar seus cromossomos.
Esse fungo se chama Candida auris. Ele pode ser difícil de eliminar em pessoas já fragilizadas por uma doença. Os médicos utilizam, entre outros medicamentos, antifúngicos que enfraquecem a parede que protege suas células. Mas alguns fungos acabam resistindo a esses tratamentos.

Pesquisadores estudaram fungos coletados de dois pacientes londrinos. Apesar de apresentarem infecções persistentes, eles não tinham as mutações habituais responsáveis pela resistência.
Para compreender esse fenômeno, a equipe cultivou esses fungos em laboratório com uma alta concentração de anidulafungina, um antifúngico. Algumas colônias mudaram de aparência. Elas formavam grupos de células pequenos ou grandes e toleravam melhor a presença do medicamento.
A análise de seu DNA revelou uma surpresa. Algumas células possuíam quatro conjuntos de cromossomos ou mais, enquanto esse fungo normalmente possui apenas um. Em outras palavras, elas haviam multiplicado a quantidade de material genético contida em sua célula.
Os pesquisadores também observaram mudanças na parede do fungo, assim como em mecanismos que o ajudam a suportar situações difíceis. Em algumas colônias, mutações que afetavam um gene ligado a essa resposta ao estresse acompanhavam uma resistência ainda maior.
Essa adaptação, portanto, não depende necessariamente de uma única modificação. O fungo poderia se tornar cada vez mais resistente em etapas, mudando ao mesmo tempo seu DNA, sua parede e sua resposta ao estresse. Mas o estudo não permite saber precisamente qual mudança provoca cada efeito.
Também é preciso lembrar que essas observações dizem respeito a amostras de dois pacientes e a experimentos em laboratório. Elas não mostram que todos os Candida auris utilizam esse método. Ainda assim, ajudam a entender por que alguns tratamentos podem falhar sem que os testes genéticos habituais detectem as mutações esperadas.