💀 A peste já assolava a pré-história, há 5500 anos

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature
Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Durante séculos, a peste permaneceu associada às cidades medievais e às grandes sociedades agrícolas. Mas uma descoberta recente vem mudar tudo: na Sibéria, caçadores-coletores que viviam em pequenos grupos isolados já sofriam epidemias mortais de peste há 5.500 anos, muito antes das grandes pandemias históricas.

Pesquisadores internacionais analisaram o DNA antigo preservado nos dentes de 46 esqueletos provenientes de quatro cemitérios perto do lago Baikal. Ao reconstruir os genomas da bactéria Yersinia pestis, descobriram que 18 indivíduos eram portadores. Essa taxa de quase 40% é surpreendentemente alta, superando a de alguns locais de sepultamento da peste negra.


Imagem de ilustração Pixabay

Essa proporção incomum intrigou imediatamente os arqueólogos, impressionados pelo alto número de crianças e jovens adolescentes enterrados em dois desses locais. Essa distribuição sugeria um evento súbito que atingiu os mais jovens. As datações por carbono 14 confirmaram que as mortes ocorreram em um curto período, e o DNA revelou que membros de uma mesma família, como irmãos ou pais com seus filhos, morreram juntos, o que evoca uma epidemia.

Como explicar a letalidade dessa peste primitiva? Essas cepas antigas não possuíam as adaptações genéticas que permitem à bactéria se transmitir por pulgas e roedores, mecanismo chave das grandes pandemias posteriores. Em contrapartida, elas carregavam um superantígeno único, uma toxina capaz de desencadear uma reação imunológica excessiva, provocando inflamação severa e complicações frequentemente fatais.

A transmissão da doença provavelmente ocorria diretamente das marmotas para os humanos. De fato, os caçadores-coletores da região tinham contato próximo com esses roedores que ainda hoje são reservatórios da peste. Assim, a bactéria teria circulado desde a Ásia Central ou Oriental antes de se espalhar pela Eurásia através das populações de roedores selvagens.

Este estudo questiona a ideia de que as primeiras formas de peste eram benignas. Muito antes do surgimento das cidades e da agricultura, a peste já era uma assassina temível, adaptada a sociedades de pequenos grupos nômades. Os cientistas acreditam que essas cepas primitivas evoluíram gradualmente para provocar as pandemias que conhecemos, mas sua virulência inicial continua sendo uma descoberta importante.

Yersinia pestis: o agente da peste


A peste é causada por uma bactéria chamada Yersinia pestis. Descoberta em 1894 por Alexandre Yersin, essa bactéria pode infectar muitos mamíferos, mas seu reservatório principal é o roedor. Nos humanos, ela provoca várias formas da doença: bubônica, pulmonar ou septicêmica. A forma bubônica, a mais conhecida, caracteriza-se pelo inchaço doloroso dos gânglios linfáticos. Sem tratamento antibiótico, a mortalidade pode ultrapassar 50%.

A transmissão histórica da peste se dá principalmente por pulgas. Uma pulga que picou um rato infectado regurgita bactérias ao picar novamente. No entanto, nas cepas antigas, essa adaptação estava ausente. Isso significa que a bactéria usava outras vias para infectar humanos, provavelmente através do contato direto com animais infectados ou inalação de gotículas. Essa descoberta mostra que Yersinia pestis possui grande plasticidade genética.

As cepas modernas da peste são classificadas em vários biovares, incluindo Antiqua, Medievalis e Orientalis. Cada um corresponde a diferentes pandemias históricas. O estudo das cepas antigas permite rastrear a evolução da bactéria e identificar os genes-chave de sua virulência. O genoma de Yersinia pestis contém muitos elementos móveis que facilitam as trocas genéticas, acelerando sua adaptação a novos hospedeiros.
Página gerada em 0.614 segundo(s) - hospedado por Contabo
Sobre - Aviso Legal - Contato
Versão francesa | Versão inglesa | Versão alemã | Versão espanhola