O PVC de tubos, revestimentos e cabos poderia ter uma segunda vida inesperada: tornar-se um óleo lubrificante destinado a máquinas. Uma equipe internacional obteve líquidos próximos das polialfaolefinas, usadas como bases em muitos lubrificantes sintéticos.
Esse resultado visa um plástico particularmente difícil de valorizar. O policloreto de vinila, ou PVC, contém muito cloro. Em tratamentos convencionais, esse elemento pode danificar catalisadores, corroer equipamentos ou formar produtos indesejados. Cerca de 60 milhões de toneladas de PVC são produzidas por ano no mundo.

Em breve, óleos à base de PVC reciclado nos motores?
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O processo baseia-se em cloreto de alumínio, denominado AlCl3, empregado a 70 °C. A essa temperatura moderada, o PVC perde parte de seu cloro. Sua cadeia carbônica participa em seguida de várias reações com alfa-olefinas, moléculas já utilizadas para fabricar óleos sintéticos.
Em outras palavras, o plástico não serve apenas como matéria a decompor. Sua estrutura orienta a formação de novas cadeias lubrificantes. Os pesquisadores obtêm assim polialfaolefinas derivadas do PVC, chamadas vPAO, sem recorrer aos catalisadores empregados em algumas produções atuais.
As propriedades medidas correspondem àquelas desejadas para limitar os atritos. A 100 °C, a viscosidade cinemática dos produtos varia de cerca de 14,9 a 26,3 mm²/s. Seu coeficiente de atrito situa-se entre 0,08 e 0,15 nos ensaios realizados pela equipe.
A viscosidade também pode permanecer relativamente estável quando a temperatura muda. O melhor índice de viscosidade atinge 130. Esse valor descreve a capacidade de um óleo de manter um comportamento regular entre a partida a frio e o funcionamento a quente de um mecanismo.
As experiências incluíram objetos reais de PVC, o que permite verificar que os aditivos e as formulações comerciais não bloqueiam imediatamente a reação.
Resta agora determinar o custo, o consumo de reagentes e a gestão do cloro em uma produção de maior escala. Um pedido provisório de patente foi depositado. As próximas etapas deverão sobretudo mostrar que essa transformação funciona com resíduos heterogêneos, sem transferir seu impacto para outros resíduos químicos.