🌾 Savanas já cobriam o noroeste da África há 15 milhões de anos

Paisagens abertas semelhantes às savanas já existiam no noroeste da África há cerca de 15 milhões de anos, muito antes do período geralmente considerado para sua expansão.

Essa história antiga é difícil de reconstruir diretamente em terra. Os solos e os restos vegetais desaparecem ao longo de milhões de anos. Os pesquisadores, porém, dispõem de outro arquivo: os sedimentos acumulados no fundo do oceano, ao largo do continente. Eles recebem continuamente poeira e materiais transportados das terras vizinhas.

Imagem ilustrativa Pexels

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Algumas moléculas produzidas pelas plantas resistem particularmente bem a essa longa conservação. Ao estudar esses vestígios em camadas sedimentares de diferentes idades, os cientistas conseguem descobrir quais grandes tipos de vegetação ocupavam as terras no passado. Esse método complementa os fósseis clássicos, distribuídos de forma muito desigual na África.

As novas análises indicam que uma mudança marcante já estava em curso no Mioceno médio. Há cerca de 15 milhões de anos, as paisagens do noroeste africano apresentavam uma proporção significativa de vegetação aberta. Portanto, as savanas não teriam esperado as transformações muito mais recentes frequentemente associadas à sua grande expansão pelo continente.

Para compreender essa diferença, é preciso distinguir o surgimento de uma savana da posterior predominância de determinadas gramíneas. As savanas reúnem ambientes onde as gramíneas ocupam um lugar importante, com árvores mais ou menos espaçadas. A própria vegetação mudou ao longo do tempo. Assim, as paisagens antigas não eram necessariamente semelhantes às grandes savanas africanas atuais.

Os dados anteriores haviam mostrado, em particular, uma forte expansão posterior das gramíneas chamadas C4. Esse nome designa uma maneira específica de captar carbono durante a fotossíntese. Ela favorece muitas gramíneas sob temperaturas elevadas e em determinados ambientes secos. Contudo, sua expansão não marca necessariamente o nascimento das primeiras paisagens abertas.

Essa nova cronologia também reposiciona os animais do Mioceno em um cenário diferente. Trabalhos anteriores mostraram que os herbívoros africanos e as plantas espinhosas já se diversificavam há mais de 10 milhões de anos. Espaços mais abertos podem ter modificado os recursos alimentares e as relações entre plantas e animais muito antes da predominância das savanas modernas.

Os sedimentos marinhos agora permitem acompanhar essa transformação ao longo de um extenso período, sem depender apenas de raros sítios fósseis terrestres. Assim, os pesquisadores podem comparar a evolução da vegetação com as mudanças no clima e nos animais. Essa cronologia deverá ajudar especialmente a determinar quando os diferentes tipos de savana se estabeleceram no noroeste da África.