O aquecimento global pode tornar a água da torneira muito mais cara em algumas cidades. Um estudo realizado em Santa Cruz, na Califórnia, estima que períodos mais quentes e mais secos podem quase duplicar a conta média até meados do século. O risco afeta principalmente famílias já vulneráveis.
A cidade estudada depende quase inteiramente de recursos locais e de um único reservatório. Quando as chuvas diminuem, os gestores precisam preservar o abastecimento. Porém, as soluções mais resilientes, como a reutilização de águas residuais ou a dessalinização, exigem investimentos dispendiosos.

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Os pesquisadores relacionaram, num mesmo modelo, os cenários climáticos, as escolhas de infraestrutura, as tarifas aplicadas pelo serviço de água e o consumo das famílias. Esta abordagem permite estudar não só a quantidade de água disponível, mas também a forma como o seu custo se distribui entre os habitantes.
No cenário seco considerado, a conta média pode quase duplicar em Santa Cruz. A proporção de famílias que ultrapassa o limiar de acessibilidade recomendado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA passaria de 19% para 35%.
As famílias mais pobres seriam, como seria de esperar, as mais expostas. O modelo estima que a sua despesa mensal média poderia passar de cerca de 60 dólares para 111 dólares, em valor atual. Para uma parte das famílias, a água representaria então uma parte importante do rendimento disponível.
As escolhas de adaptação criam uma difícil decisão. Construir cedo grandes capacidades de dessalinização melhora a segurança do abastecimento, mas aumenta imediatamente as contas. Adiar os investimentos limita os custos imediatos, aumentando ao mesmo tempo o risco de restrições durante as secas.