✈️ Uma turbina que se repara sozinha?

As turbinas de aviões e de centrais elétricas funcionam em condições muito severas e estão sujeitas a tensões muito elevadas.

Uma equipa de cientistas desenvolveu um revestimento cerâmico capaz de selar algumas microfissuras quando aquece. A ideia é simples: utilizar a temperatura, normalmente responsável pelo desgaste, para desencadear uma reparação parcial do material.

Imagem Wikimedia

O revestimento contém, nomeadamente, óxidos de cobalto e de cromo. A altas temperaturas, parte destes elementos desloca-se lentamente para as zonas danificadas. Podem então preencher pequenas fissuras antes que estas aumentem.

Esta reparação ocorre sem sensores nem intervenção externa. No entanto, não é instantânea e não deixa como nova uma peça muito danificada. O mecanismo atua sobretudo sobre pequenos defeitos que surgem gradualmente durante a utilização.

Os investigadores testaram várias composições submetidas a temperaturas elevadas e a fricção. As formulações que continham cobalto resistiram melhor às fissuras e ao desgaste do que as baseadas unicamente em óxido de cromo.

Os ensaios foram realizados, nomeadamente, a 600 °C e 800 °C, temperaturas representativas de alguns ambientes industriais quentes. A 800 °C, o revestimento sem cobalto podia fissurar e perder localmente material. A adição de cobalto melhorava significativamente a sua resistência.

Este comportamento poderá interessar às turbinas, nas quais uma fissura num revestimento protetor pode acabar por expor a peça situada por baixo. Se estes danos progredirem mais lentamente, algumas peças poderão permanecer mais tempo em serviço antes de uma operação de manutenção.

Por enquanto, a tecnologia foi testada em amostras de material, não numa turbina completa em funcionamento. As próximas etapas terão de verificar se esta capacidade de autorreparação continua eficaz após muitos ciclos de aquecimento, arrefecimento e fricção.