Ao retirar gradualmente partes do LSD, pesquisadores obtiveram uma molécula que produz efeitos opostos aos da substância original. O LSD age no cérebro ligando-se a vários receptores presentes nas células e desencadeando várias reações ao mesmo tempo.
Para descobrir quais partes do LSD são responsáveis por essas reações, uma equipe da Universidade da Califórnia em Davis escolheu uma abordagem bastante direta: desmontar a molécula pedaço por pedaço. Sua estrutura contém vários grupos de átomos ligados entre si. Os pesquisadores retiraram alguns deles e observaram como cada nova versão se comportava.

A estrutura química do LSD, representada no centro, é simplificada em vários análogos moleculares.
Crédito: Andras Domokos e Andrian G. Basargin / UC Davis.
As diferenças apareceram rapidamente. Algumas moléculas simplificadas mantiveram uma forte ação sobre o receptor principalmente associado às alucinações provocadas pelos psicodélicos. Outras perderam amplamente essa propriedade.
Duas moléculas obtidas, chamadas UCD0094 e UCD0076, apresentaram um perfil considerado interessante nos primeiros experimentos.
A principal surpresa veio de UCD0076. Em camundongos, essa molécula produziu efeitos que os pesquisadores associam aos de medicamentos antipsicóticos. Em outras palavras, ao retirar certas partes de uma molécula conhecida por seus efeitos psicodélicos, a equipe obteve um composto com comportamento quase oposto em vários testes.
Essa diferença parece estar ligada à maneira como UCD0076 age sobre a serotonina. A molécula se liga principalmente a um receptor chamado 5-HT2C, um dos muitos pontos de contato utilizados pela serotonina no cérebro. Esse receptor já é de interesse para pesquisas sobre vários transtornos neurológicos e psiquiátricos, especialmente a esquizofrenia.
UCD0076 continua sendo, no entanto, uma molécula experimental. Os resultados atuais vêm de experimentos em laboratório e de testes com camundongos, não de ensaios com pacientes. Os pesquisadores agora precisam criar outras variantes e estudar sua segurança, duração de ação e comportamento no organismo antes que um eventual ensaio em seres humanos possa ser considerado.