🫧 Aterros sanitários emitiriam cinco vezes mais metano do que o estimado?

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Um exemplo que levanta muitas preocupações: um estudo em um aterro sanitário de Nova Jersey mediu, em 2023, emissões de metano cinco vezes superiores à quantidade oficialmente estimada. Essa diferença não vem de uma única pluma excepcional, mas de vieses na metodologia atual.

O metano retém o calor de forma muito mais eficaz do que o dióxido de carbono nas primeiras décadas após sua emissão. Em um aterro sanitário, ele é produzido quando os resíduos orgânicos se decompõem sem oxigênio. Parte dele pode ser capturada e queimada, mas o restante escapa pela cobertura, pelas tubulações ou por áreas menos vedadas.

No entanto, essas fugas não permanecem constantes.

Imagem de ilustração Unsplash

A equipe instalou um método baseado em uma única torre de medição localizada perto do local. Ela registrava a concentração de metano no ar a cada 30 segundos. Os pesquisadores combinaram esses dados com a direção do vento e as condições atmosféricas para estimar as emissões mensais do aterro.

Esse monitoramento prolongado revelou um ciclo sazonal marcado. As emissões atingiam o máximo no inverno e o mínimo no verão. Elas aumentavam especialmente quando a temperatura se aproximava de 0 °C e quando a pressão atmosférica diminuía, condições que as campanhas pontuais de medição podem facilmente não detectar.

Para entender esse resultado, é preciso ver o aterro como um volume preenchido de gás. Uma queda na pressão externa facilita sua saída. A temperatura também age sobre os materiais de cobertura, as reações biológicas e os movimentos do gás nos resíduos.

As estimativas obtidas com a torre foram comparadas com medições feitas a partir de aviões durante o verão e com levantamentos móveis realizados no solo ao longo do ano. Os valores observados no mesmo momento eram, no geral, concordantes. Essa comparação reforça o método, sem provar que ele funcionaria de forma idêntica em todos os locais.

O número cinco vezes superior diz respeito, portanto, a um único aterro e a um único ano. Ele não permite multiplicar automaticamente as emissões declaradas de todas as instalações. Por outro lado, mostra que uma medição realizada apenas durante alguns dias, principalmente com bom tempo, pode dar uma imagem baixa demais das emissões anuais.

Essa questão é importante para os inventários climáticos. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, os aterros sanitários representam 17% das emissões nacionais estimadas de metano de origem humana. Uma multiplicação por um fator de cinco representaria, como se vê, uma mudança importante nas emissões estimadas de todo o país. E, consequentemente, na sua contribuição para o efeito estufa mundial.

A próxima etapa consistirá em aplicar esse monitoramento contínuo a outros aterros sanitários que apresentem uma configuração adequada. Os pesquisadores querem determinar especialmente se o pico de inverno observado em Nova Jersey se repete em outros lugares e em que medida as variações de pressão podem ajudar a programar as fiscalizações quando as fugas forem mais fortes.

MA
Mamazone

Artigo muito pertinente. Se as rejeições mudam tanto de acordo com a meteorologia e a estação, as medidas pontuais correm o risco de ignorar uma grande parte do problema.