🦟 Os mosquitos selecionam quem picar consoante a sua espécie

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As pessoas muitas vezes picadas não o são forçosamente por todas as espécies de mosquitos. Um estudo realizado com 119 voluntários mostra que cada espécie privilegia perfis humanos diferentes. Esta variação depende nomeadamente dos odores emitidos pela pele e das bactérias que nela vivem.

Os investigadores compararam três mosquitos capazes de transmitir doenças: Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus. Os participantes foram testados num olfactómetro, um dispositivo que mede a atração de um inseto por uma fonte odorífera.

Imagem de ilustração Pixabay

As três espécies não escolhiam os voluntários pela mesma ordem de preferência. Uma pessoa muito atraente para uma podia, portanto, deixar outra espécie quase indiferente. Este resultado contradiz a ideia de um «íman de mosquitos» válido em todas as situações.

Para compreender estas preferências, a equipa analisou as moléculas odoríferas presentes na pele. Também estudou a microbiota cutânea, ou seja, o conjunto de microrganismos que vivem naturalmente na sua superfície. Estas bactérias participam na produção ou na transformação de muitos odores corporais.

Em Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus, uma forte atração estava associada à ausência, e não à presença, de certos odores. Os investigadores citam em particular álcoois cíclicos e monoterpenos, uma família de moléculas também produzida por muitas plantas.

Aedes albopictus, frequentemente chamado mosquito-tigre, apresentava um perfil diferente. A sua atração estava ligada à presença de certas cetonas, compostos orgânicos que podem contribuir para o odor da pele. O estudo mostra, portanto, que as mesmas moléculas não agem de forma idêntica em cada espécie.

Também apareceu uma diferença relacionada com o sexo dos voluntários para Aedes aegypti. Esta espécie era mais atraída por homens do que por mulheres nas condições do teste. Não foi observado nenhum efeito comparável para as outras duas espécies estudadas.

O odor humano forma uma mistura de muitos compostos, cujas proporções variam entre indivíduos. Os mosquitos utilizam também outros sinais, como o dióxido de carbono expirado, o calor e a humidade.

Estes resultados poderão ajudar a conceber repelentes ou armadilhas adaptados a uma espécie específica.