Um pequeno anel de bronze revelou uma imagem rara do farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Arqueólogos subaquáticos o descobriram no porto de Alexandria, no Egito. A joia estava entre as ruínas de Antirrodo, uma antiga ilha onde se erguia um palácio real. Esse bairro, outrora no coração da cidade, hoje repousa sob a água.

O objeto traz uma representação do famoso farol. Construído durante a Antiguidade para ajudar os navios a encontrar a entrada do porto, esse imenso monumento desapareceu há vários séculos. Conhecemos sua aparência principalmente graças a textos e moedas antigas.
Segundo a equipe liderada pelo arqueólogo Franck Goddio, trata-se do primeiro anel-sinete conhecido com esse desenho. Sua representação do farol se assemelha à de algumas moedas datadas do século II depois de Cristo. Essa semelhança, contudo, não permite determinar com certeza a idade do anel.

Por que gravar um monumento assim em uma joia? Na época, um anel-sinete podia servir para marcar um documento, pressionando seu desenho em um material macio. O motivo permitia identificar uma pessoa ou uma função. Mas os pesquisadores ainda não sabem a quem esse objeto pertencia.
A descoberta também é interessante por causa de sua localização. Antirrodo fazia parte do bairro dos soberanos de Alexandria. O geógrafo Estrabão descreveu seu palácio durante sua viagem ao Egito, no final do século I antes de nossa era. É provável que edifícios oficiais tenham funcionado ali durante vários períodos. Franck Goddio considera que algumas atividades administrativas relacionadas ao farol podem ter ocorrido na ilha.

Representação do farol de Alexandria
Imagem Wikimedia
As escavações continuam em uma vasta área do antigo porto, hoje submersa. Elas permitem encontrar objetos e estruturas que mostram como viviam os habitantes de Alexandria.