Uma molécula experimental conseguiu frear a multiplicação do vírus da dengue em células humanas cultivadas em laboratório.
A dengue é provocada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Aedes. Uma vez dentro de uma célula, esse vírus precisa copiar seu material genético para produzir novas partículas virais. Os pesquisadores procuraram perturbar essa etapa fabricando onze moléculas semelhantes aos nucleosídeos, componentes utilizados durante a cópia do material genético.

Close de um mosquito sobre a pele
Imagem ilustrativa Unsplash
Essas moléculas foram concebidas a partir da glicose e pertencem a uma família chamada nucleosídeos purínicos acíclicos. Sua estrutura pode permitir que interfiram nos mecanismos utilizados por certos vírus para se reproduzir. A equipe as testou contra o sorotipo 2 do vírus da dengue em células humanas cultivadas em laboratório.
Entre as moléculas estudadas, a chamada 5e apresentou os resultados mais favoráveis. Uma concentração de 13,64 micromoles por litro era suficiente para reduzir pela metade a atividade viral medida. Esse valor, chamado EC50, serve para comparar a eficácia de substâncias testadas nas mesmas condições.
Os pesquisadores também mediram a partir de qual concentração a molécula se torna tóxica para metade das células. Esse segundo valor atingiu 153 micromoles por litro. A diferença entre as duas concentrações indica que o efeito antiviral aparece bem antes do nível associado a uma forte toxicidade celular neste experimento.

O resultado, no entanto, ainda está muito distante de um medicamento contra a dengue. O experimento foi realizado em células cultivadas, e não em animais ou pacientes. Uma molécula ativa em uma placa de laboratório ainda precisa passar por muitas etapas para verificar sua eficácia, toxicidade, comportamento no organismo e dose utilizável.