Morangos podem continuar com boa aparência por vários dias em temperatura ambiente graças a uma camada protetora quase invisível, produzida principalmente com ágar.
Essa substância derivada de algas já é amplamente utilizada na alimentação. O novo revestimento desacelera a perda de água e a deterioração das frutas, sem exigir conservação permanente na geladeira.
Um morango fresco perde água rapidamente após ser colhido. Sua superfície frágil também facilita danos e o desenvolvimento de microrganismos. O frio desacelera esses fenômenos, mas conservar e transportar alimentos refrigerados exige muita energia.

Morangos colocados sobre uma mesa branca
Imagem ilustrativa Unsplash
Os cientistas, portanto, desenvolveram uma barreira que é depositada diretamente sobre a fruta. Sua base é o ágar, um material gelificante extraído de algas. A ele, associaram minúsculas partículas formadas graças à interação entre zinco e ácido tânico, uma substância vegetal pertencente à família dos polifenóis.
Depois de aplicadas, essas partículas se unem para formar um filme protetor contínuo.
Essa camada reduz as trocas com o ambiente. Os morangos tratados perdem menos umidade, preservam melhor sua firmeza e resistem mais à degradação. Os testes também foram realizados com uvas e pedaços de maçã, com melhor conservação de várias características relacionadas à sua frescura.
O revestimento também possui atividade antibacteriana medida em laboratório. Os testes realizados com células intestinais humanas cultivadas não mostraram toxicidade nas condições estudadas. Grande parte da camada também pode ser removida com um simples enxágue breve em água, o que facilita seu uso em alimentos consumidos diretamente.
A fabricação foi pensada para ir além do ambiente de laboratório. Os cientistas obtiveram resultados com ágar alimentício disponível no comércio. Esse aspecto é importante para considerar uma produção em maior escala, pois evita depender de um material raro ou produzido especialmente.
O objetivo não é necessariamente eliminar o frio em todos os lugares. Esse filme poderia sobretudo limitar as perdas quando a refrigeração é difícil, cara ou interrompida entre a colheita e o consumo. As frutas muito frágeis são particularmente afetadas, pois um curto período em temperatura ambiente pode acelerar sua deterioração.
Os pesquisadores também avaliaram o impacto ambiental de seu processo. A análise atribui ao revestimento uma pegada de carbono e uma toxicidade para ambientes de água doce inferiores às de uma conservação convencional dos morangos por refrigeração.
O próximo passo será confirmar esse desempenho em grande escala, em condições reais de armazenamento e distribuição.