Em uma floresta chinesa, pesquisadores descobriram um cogumelo que pode atingir 50 centímetros de altura e pesar 2,2 quilos.
À primeira vista, ele não se parece com o cogumelo habitual, com seu pé e seu chapéu. Em vez disso, forma uma grande massa ereta, às vezes ramificada, coberta por uma matéria fibrosa amarelada. Os habitantes de algumas regiões de Yunnan, no sudoeste da China, já conheciam esse organismo estranho. Mas os cientistas só agora lhe deram um nome: Dianjunus rex, ou «D-rex».

Trecho do álbum A estrela misteriosa, de Tintim, por Hergé
Seu tamanho não é seu único interesse. Nos fungos, o que vemos na superfície é apenas uma parte do organismo: aquela que serve, entre outras coisas, para produzir e dispersar os esporos, minúsculos elementos capazes de dar origem a outros fungos. O restante se desenvolve principalmente na madeira ou no solo.
Ora, em Dianjunus rex, essa parte visível atinge dimensões excepcionais para sua família ampliada, os ascomicetos. Esse grupo inclui, entre outros, as morchellas, as trufas e muitos fungos muito menores. Os pesquisadores estimam que as estruturas observadas sejam as mais volumosas já descritas nesse grupo.
Para descobrir a quais espécies esse gigante era aparentado, a equipe comparou seu DNA com o de muitos outros fungos. O resultado trouxe uma surpresa: ele não correspondia a nenhuma família conhecida. Os cientistas propõem, portanto, a criação de uma nova família, chamada Dianjunaceae, para abrigar essa espécie.

O painel (a) mostra vários fungos amarelo-brancos em forma de dedo emergindo de um toco de árvore em decomposição, cercado por vegetação verde.
Os painéis (b) a (h) apresentam grupos ou fungos isolados de cor e forma semelhantes, crescendo em diversos ambientes de solo florestal, alguns parcialmente cobertos por terra ou folhas.
O painel (i) apresenta vários espécimes fúngicos limpos, de cor marrom, sobre uma escala numérica, destacando suas formas irregulares, semelhantes a raízes.
Ao reconstituir sua história evolutiva, eles também estimaram que essa linhagem teria surgido há cerca de 65 milhões de anos. Isso aconteceu logo após a grande extinção que marcou o desaparecimento dos dinossauros não avianos.
O estudo traz outro elemento intrigante. O genoma do fungo contém relativamente poucos genes responsáveis pela produção das substâncias que degradam a madeira, em comparação com várias espécies próximas. Os pesquisadores ainda precisam entender precisamente como ele se alimenta nas florestas onde cresce, especialmente perto de raízes e madeira em decomposição.
Essa descoberta lembra que até organismos muito imponentes podem permanecer desconhecidos dos cientistas por muito tempo e que, ao estudar um fungo atual, às vezes é possível remontar a uma história iniciada na época em que os dinossauros acabavam de desaparecer.